Modernismo

EXPRESSIONISMO, FAUVISMO, CUBISMO, FUTURISMO

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MODERNISMO E ARTES PLÁSTICAS

Enquadramento Histórico: a Europa e o Mundo do final do séc. XIX à I Guerra Mundial.

Hegemonia Europeia: em plena «Segunda Revolução Industrial», os países europeus industrializados, dominavam do ponto de vista económico uma grande parte do mundo, monopolizando mercados, rotas comerciais intercontinentais, a produção de matérias primas. À Grã-Bretanha, a 1ª grande potência, juntaram-se a França, a Alemanha, unificada em 1872, a Bélgica e, mais tardiamente, outros países. Os E.U.A. apoiavam a sua indústria no seu próprio e imenso mercado. Na Ásia, o Japão passou a ter uma atitude cada vez mais agressiva.

Estas Potências procuraram. através do desenvolvimento da ciência e da tecnologia, adquirir vantagem tecnológica e energética. À hegemonia económica associou-se o domínio político, diplomático, militar.

Contudo, vastos impérios continentais (Rússia, Império Austro-Húngaro) , assim como outros países e regiões, tais como Portugal e Espanha, Sul da Itália, Países Balcânicos, desafiavam toda a modernidade, mantendo sociedades antiquadas, com uma industrialização incipiente, uma estrutura ancilosada, permanecendo numa posição periférica relativamente aos grandes fluxos económicos e culturais.

Colonialismo: as colónias eram sujeitas a esse domínio, sendo exploradas tendo exclusivamente em conta o interesse da potência colonizadora (a Metrópole). Outros territórios formalmente independentes eram também economicamente controlados (neo-colonialismo).

Interessava aos países industrializados procurar conhecer muitas das regiões ainda não exploradas. As expedições desencadeadas nos diversos continentes, para lá do interesse económico, trouxe uma influência a outros níveis, nomeadamente artística, atraindo as atenções para as «artes primitivas» (ex.: as máscaras africanas).

Intensa rivalidade entre os países europeus industrializados: deriva da concepção capitalista da economia (concorrência, procura do lucro através da maximização dos recursos, controlo monopolista de mercados e matérias-primas, etc), procurando cada um a primazia, defendendo-se o interesse nacional acima de outros valores. Leva a conflitos entre as diversas potências e, por vezes, a conflitos armados. Mesmo quando não se chega a tanto, existe um esforço armamentista intenso («corrida aos armamentos»)  de todas as partes, num clima de Paz Armada, podendo a qualquer altura degenerar num conflito de proporções até então nunca conhecidas, como veio a acontecer em 1914-18. O exacerbamento nacionalista, sobrevalorizando o que poderia constituir como elemento agregador, provocou uma onda de chauvinismo entre as Nações, incluindo nos aspectos culturais.  A arte surge como instrumento de afirmação de identidades, com todas as consequências daí decorrentes.

Desenvolvimento técnico, científico e cultural: assistiu-se a um aumento do conhecimento em múltiplas áreas, mercê, não só de investimentos até então nunca realizados, mas também numa nova maneira de pensar: o “Cientismo”- a ciência como solução para os males da humanidade, o “Positivismo”, a «domesticação» da Natureza pelo Homem, o higienismo, etc. As novas formas de comunicação (caminho-de-ferro, telégrafo, telefone, barcos a vapor,  automóvel, cinema, etc) tornam o mundo cada vez mais «pequeno». Novas ideias levam ao desabar de «verdades» milenarmente consagradas: Darwinismo, Marxismo, Psicanálise, serão alguns dos pilares do pensamento do novo século. Os movimentos socialistas, nas suas várias expressões, afrontam a sociedade capitalista e burguesa dominante, influenciando profundamente as Artes. Novos materiais permitem novas expressões.

Urbanismo e novos estilos de vida: as cidades crescem na mesma proporção em que processa o êxodo rural. A cidade passou a organizar-se de acordo com os novos tempos, pré-anunciando a vida que conhecemos nos nossos dias, mas com um aproveitamento contraditório: ao lado de uma multidão de desenraizados, os já integrados usufruem das vantagens das grandes novidades que iam alterando o quotidiano dos mais ou menos privilegiados. 

  

Enquadramento Artístico: a afirmação de modernidade contemporânea; o papel das vanguardas; o aparecimento de novos centros artísticos.

Os anos que precederam a I Guerra Mundial foram de uma experimentação frenética e constante de novas formas de expressão na pintura e na escultura, tendo constituído uma das fases mais surpreendentes da arte europeia. A influência de pintores considerados marginais na época (Van Gogh- «expressionista», Cézanne- «pré-cubista», Munch ou Gauguin- «simbolistas», os «Nabis», ….), assim como de artistas, escritores, críticos, cientistas e filósofos, como Gustav Mahler e os três compositores da Escola de Viena- A. Schonberg  (música «atonal»), A. Webern e A. Berg, o russo Stravinsky, o poeta Guilaume Apollinaire, os cientistas Durkheim, Freud ou Max Weber, e muitos outros, foi fundamental para essa procura de expressões que fossem radicalmente novas. Constituiu uma excitante era de novidade, sofisticação e renovação cultural profunda, enfim, de grande modernidade. Ainda hoje, cem anos volvidos, muitas das obras produzidas continuam a incomodar e permanecem incompreendidas, tanto como as concepções científicas ou filosóficas que lhe serviram de apoio «ideológico».

Os artistas que hoje nos habituamos a considerar consagrados eram na sua época, naturalmente, pouco apreciados pela generalidade do público, numa tensão secular que opunha a arte «oficial» às vanguardas. Os “velhos” impressionistas mais conhecidos e ainda vivos (Monet ou Renoir)  só tinham atingido uma semi-consagração. As grandes cenas históricas, dominadas pelo desenho, faziam furor no «Salon», embora fossem admitidas algumas concessões a uma tímida espontaneidade na composição e no uso da cor, mais perto de Delacroix do que de Monet ou Renoir, ou num certo simbolismo, mas tudo ainda tolhido pelo conformismo académico.

Paris continua o grande centro, onde nascem as novidades. Montmartre, ainda não há muito um mero arrabalde parisiense e integrada na cidade por um urbanismo voraz, faz parte de uma mitologia ligada às artes e à boémia características deste período. Outros centros de criação relevantes, porém, aparecem: Dresden, Munique, Berlim, Milão, Londres e outros. Mas os artistas que aqui desenvolvem a sua actividade têm como referência Paris e os seus ateliers, que se multiplicam, seguindo ou opondo-se às tendências parisienses.

 

AS VANGUARDAS

O aspecto mais notável da situação artística do início do século XX (ou do período que se designa por «vanguarda história»)  reside na tendência dos seus protagonistas para se organizarem em movimentos e grupos homogéneos,  ou seja, em formações que nascem de convergências ideológicas muito precisas, baseadas em teorias comuns acerca dos significados e dos objectivos da produção artística. É quase inútil recordar que esses projectos nascem sob o signo do maior mito da época, o que insiste na renovação radical, e por vezes subversiva, da existência e da psicologia humanas. As bases teóricas são, na maioria dos casos, fixadas em proclamações apropriadas (… os manifestos) …. com várias funções: em 1º lugar, ratificar os estatutos a que é necessário obedecer para se fazer parte de um determinado movimento; depois, constituírem outros tantos instrumentos de luta a utilizar contra os incrédulos; por fim, garantir a identidade colectiva do grupo permitindo que cada adepto possa reconhecer-se nessa identidade.

                                Sproccati, S. (dir.) - Guia da História da Arte, Lisboa:  Ed. Presença, 1995

 

  

 

EXPRESSIONISMO

1.O Expressionismo Alemão e as suas características.

 Precursores (classificados como simbolistas, entre outras designações ):

- Van Gogh: a cor era a «expressão» e graças à «ciência da cor» exprime os seus sentimentos e não os objectos representados. Obras dramáticas e desesperadas.

- Edvard Munch, norueguês: pelo ambiente dramático dos seus quadros, cuja composição despojada apenas sugere as formas, não as descreve, instaurando um clima de angústia unicamente pela harmonia da cor, viva e estridente, e pela vacuidade do espaço, em que a perspectiva, quando utilizada, já não fornece certezas visuais, mas desorienta o olhar num vórtice vertiginoso. A linha como elemento opressivo e intensamente emocional («O Beijo» ou «O Grito», por ex.).

- James Ensor, belga - herdeiro de Bosh e Bruegel e das representações moralistas e do inferno flamengas, conjuga o irónico com o grotesco como metáfora de uma sociedade dominada pela mentira e pela morte espiritual resultado da desumanização dos tempos modernos.

 

O Expressionismo começou na cidade alemã de Dresden, em 1905, quando se forma uma associação sob o nome de Die Brücke - a Ponte -, quer dizer, forma de união entre os artistas, agitadores e revolucionários, e em 1906 aí promovem a 1ª exposição. Transferiu-se para Berlim em 1911, pela migração dos seus protagonistas principais, onde lhes é aplicada pela 1ª vez a designação de expressionismo (termo literário aplicado a revistas- a mais importante era Der Sturm). Apesar de se terem organizado como movimento de vanguarda («avant-garde»), é incorrecto pensar que houvesse um verdadeiro projecto artístico, organizado e unitário. O que aconteceu é que todos eles partilhavam de um clima cultural, bastante divulgado na época, ao qual cada artista reagiu à sua maneira, num mosaico complexo de várias experiências e maneiras de ser. Contemporâneos do Fauvismo, movimento francês, com os quais compartilham a radicalidade, mas de quem se afastam nas inspirações e nas práticas artísticas.

Existiu um segundo grupo que desenvolveu a sua actividade em Munique, o movimento «O Cavaleiro Azul», em 1911. Inicialmente algo próximos dos Die Brücke, vão desenvolvendo grandes diferenças de linguagem, técnicas e temas. A cor está mais próxima de Matisse (fauvista) e os temas são menos violentos e exprimem-se de forma mais intelectual, que os conduzirá a um certo abstraccionismo.

 Principais artistas: Ernest Ludwig Kirchner (1880-1938), a principal personalidade, Karl Schmidt-Rottluff (1884-1976), Erich Heckel (1883-1970), Max Pechstein (1881-1955). Em Berlim juntar-se-lhes-á Otto Mueller (1874-1930), «o pintor dos ciganos».

O grupo de Munique era constituído por Alexei Von Jawlensky (1864-1941), August Macke (1987- 1914), Franz Marc (1880-1916, em Verdun) e as principais figuras, Wassily Kadinsky (1866- 1944) e Paul Klee (1879-1940).

El Greco (1541-1614) pintor nascido grego mas que desenvolveu a sua actividade fundamental em Espanha, conhecido pela estranha e muito expressiva deformação que imprimia às figuras e pelos tons frios com que cobria as telas, numa originalidade algo perturbante e fora do seu tempo.

 Influências: Os já referidos, Van Gogh, Munch e Ensor. El Greco. Os Fauvistas (ainda que o neguem) e, quando ainda procuravam a sua via, em 1905, os Impressionistas.

 As influências mais decisivas: Emil Nolde e as Artes “Primitivas” da Oceânia e de África.

Emil Nolde, alemão (1867-1956): foi ao mesmo tempo precursor e cúmplice, embora, na sua extensa e originalíssima obra, o período em que colaborou com o grupo de Dresden tenha durado apenas três anos. Convidado para a primeira exposição, utilizava uma paleta muito viva, com pinceladas que não definem as formas, apenas as sugerem. Espírito solitário e individualista, com um vigor expressivo, por vezes quase selvagem, e em que a cor tem um valor emotivo. Este estilo pessoal muito agradou aos jovens de Dresden, de quem foi um amigo de passagem, levando o expressionismo aos limites.

 

Estilo: Grupo de Dresden- na esteira de Nolde, utilizam cores violentas ao serviço duma expressão que se queria rude.

Os temas são os mais variados, de grande actualidade e intervenção- denúncia da civilização moderna e da sociedade burguesa. A vida citadina e o seu carácter opressivo e alienante, denunciando a esteriotipação que impõe às pessoas, é muito glosada.  Contudo, Kirchner representa muito a Mulher, às vezes núbil, mas quase sempre pesada e provocante, em composições distorcidas, ainda que a situação retratada nada tenha de particularmente degradante (retratos, paisagens, etc). Mesmo quando os temas não se referem a situações dramáticas (ex.: prostituição) os quadros reflectem sempre uma angústia trágica.

As Artes “Primitivas”, exemplos de linguagens exteriores à tradição europeia, são veículos eficazes na expressão directa e dramática do mal-estar comum. A imagem é simplificada, deformada, brutalizada, remetendo para modelos arcaicos ou infantilizados (“regressivos”).

Utilizam uma expressão deformada, alheia à cultura ocidental, provocando um choque cultural, um mal-estar perceptivo, um conflito que é transposto para a linguagem pictórica, representando o desconforto e a tragédia (“Krisis”) de que querem falar.

Apresentam duas novidades formais: a cor violenta ( explosão de gamas cromáticas excessivas) e a linha quebrada que se opõe à elegância da linha curva.

Procuram a Expressão no drama e na fealdade, na deformação  e na transposição das cores

Vivia-se, em certos círculos ideológicos e artísticos, com a ideia de que o Capitalismo tinha trazido uma crise de valores, com a aceleração das tecnologias e dos processos produtivos, desvalorização da agricultura, a urbanização, o consumismo, etc, que terá levado à emergência da “Luta de Classes”. Implicaria a destruição de um modelo de formação e transmissão de cultura- o «modernismo» põe em causa a tradição. Neste contexto, os artistas têm de optar por uma de duas vias: o academismo nostálgico ou intervêm nos novos tempos e contribuem com a sua acção para os moldarem.

A segunda via implica, não só renovação temática, mas também uma nova formulação do signo linguístico- o significante entra em contradição com o conteúdo. Marinetti, teórico do Futurismo, considera que existe uma contradição entre os recursos estilísticos da pintura tradicionais (a perspectiva, própria de um mundo estático) e a necessidade de representar o mundo moderno- dinâmico (civilização da máquina). Daí a incapacidade da pintura em representar o contemporâneo. Para combater o anacronismo e como é próprio da imagem pictórica a imobilidade,  como representar o movimento? O Futurismo teve uma resposta própria que estudaremos. O Expressionismo exprime-o através da deformação.

 

Grupo de Munique- versão mais pacífica de Expressionismo: a cor é mais lírica, preferem temas ligados à nostalgia da pureza da natureza (Marc e Macke) ou a superfície abstracta e livre da tela (Kandinsky e, diferentemente, Klee). Kandinsky, depois de uma fase desinteressante, passa a pintar em 1905-06 as paisagens da Baviera através de formas imbricadas que vão perdendo progressivamente a sua relação com a realidade, tornando-se signos praticamente ininteligíveis para o espectador (1911). Em 1912-13 tornam-se signos puramente abstractos. Klee muito mais próximo do expressionismo de Dresden, mas que, após uma viagem a Tunes, passa a aplicar «uma luz mediterrânea». Ambos influenciarão os abstraccionistas decisivamente.

 

«a pintura é a arte que representa numa superfície plana um fenómeno sensível. O meio da pintura é a cor, como fundo e como linha. O pintor transforma em obra de arte a concepção sensível da sua experiência. Não há regras para isso. As regras para cada obra vão-se estabelecendo no decorrer do trabalho»                         

                                    Kirchner in. Crónica do Grupo «A Ponte».

              O que se acentua é a subjectividade psicológica e a recusa das regras, isto é, a transgressão incessante que cada obra, na medida em que é singular e, portanto, saída de uma psique individual, comete em relação às obras que a precederam.

 

 2.Desenvolvimento do Expressionismo.

Nas décadas de 20 e 30, após a Grande Guerra, ambos os grupos estão dissolvidos mas os artistas que sobreviveram continuam a sua actividade, embora com atitudes diferentes.

Influência em novos movimentos na Alemanha de Weimar: “Nova Objectividade”, em Manhein, 1925, também conhecido por Realismo Mágico (George Groz 1893-1959; Otto Dix 1891-1969; Max Beckmann 1884-1950), retêm a agressividade, as deformações e a rudeza das formas.

 

Este movimento teve extensões em outros locais e países:

·Viena- muito próximos dos Die Brücke- Kokoschka (1886-1980; longa e variada obra: fase expressionista desde 1907- figuração humana com deformações, exprime grande violência espontânea e sem ambiguidades); Egon Schiele (1890-1918; liberta-se da influência de Klimt e adquire um visão dramática que distorce os corpos e os rostos; grafismo penetrante; temas eróticos, por vezes sórdidos).

·Países Baixos- Constant Permeke (1886-1952)  e Toorop

·«certas experiências parisienses»- Soutine, Rovault, Vlaminck, Modigliani, Picasso ( “Fase Azul”, até 1908)

·Eslavos- Chagall, Kupka

 

Também influenciou decisivamente outras actividades artísticas: escultura, arquitectura, artes gráficas, literatura, poesia, música (os três compositores da Escola de Viena já referidos), teatro, cenografia, coreografia e o cinematógrafo, recém-nascido e muito dinâmico.

 

AS VANGUARDAS E OS NAZIS:

Com a subida ao poder de Hitler e do Partido Nazi (1933), muitos artistas, os que não seguiam os cânones da arte oficial nazi, foram vítimas de campanhas de desacreditação, sendo obrigados ao exílio, impedidos de trabalhar e expôr ou, mesmo, presos em campos de concentração. Toda esta arte não “arianizada” foi classificada de «degenerada», tendo sido objecto de um extenso circuito de exposições por toda a Alemanha, arrancados das suas molduras e colocadas entre obras de doentes mentais, para gáudio de milhares de visitantes, que, pela 1ª vez, viam quadros de Van Gogh, Picasso ou Matisse. Kirchner suicidou-se em 1938 devido às humilhações sofridas.

 

 

  

 

 FAUVISMO

Movimento paralelo ao expressionismo mas com diferenças fundamentais, apesar de compartilharem de um mesmo “ambiente” de mal-estar social e de crise civilizacional.

O nome por que passaram a ser conhecidos, “Les Fauves” (as feras, os selvagens…), foi-lhes atribuído depreciativamente por um crítico após a apresentação das suas primeiras obras no “Salon” de 1905. Orgulhosamente, passaram a ostentá-la apesar de não constituírem um grupo ou um movimento organizado, mas antes um conjunto de artistas formados no mesmo atelier, ligados por laços de amizade, tendo em comum uma mesma consciência social e cumplicidades artísticas, tendo trabalhado, durante anos, numa direcção vizinha. Apresentaram um manifesto no “Salon”, mas não resultou na formulação de um doutrina, apenas uma orientação análoga em todos eles.

O aspecto dominante das suas obras era a utilização da cor empregue em tons puros, elemento que mais chocou o público de então. Esta “ferocidade” cromática» leva às últimas consequências o sintetismo de Paul Gauguin, Edouard Vuillard e Pierre Bonnard (estes dois na tradição “Pós-Impressionista”). Mantêm um sentido de harmonia e de estilo que os expressionistas sacrificaram.

Matisse, a estrela da companhia, em 1899 descobre as cores puras, embora não as explore de imediato. Até 1905 hesita, experimenta outras vias num contexto Neo-Impressionista. Passa férias em Saint-Tropez com Signac em 1904. Em 1905 apresenta dois quadros no Salon com cores puras no tom mais claro, em cuja composição se nota nítida e assumida influência de Gauguin. O quadro “Joie de Vivre” (1906- Salon des Indépendantes) resume claramente o seu estilo: o tema remete para um certo hedonismo feliz, exalta a ligeireza de um mundo despreocupado, vitalidade que partilha com os do grupo, exceptuando Rouault, aquele que mais perto esteve da violenta e torturada angústia do grupo de Dresden e conhecido pelo seu misticismo. Em 1907 escreveu que procurava a «expressão», que estaria menos no tema do que na forma, reflecte-se mais no prazer da pintura do que na mensagem. Os temas nada interessam, meros pretextos para evidenciar o processo do pintor que consiste numa intensidade constante da superfície da obra através do reforço progressivo das impressões cromáticas. A cor expressa o «sentimento » que o anima e cuja expressividade torna o seu trabalho mais sólido. Influenciará o abstraccionismo.

Os Fauvistas muito dificilmente poderão ser classificados de expressionistas, uma vez que este termo aplica-se mais aos descendentes de Van Gogh do que aos de Gauguin, «aos espíritos atormentados do que aos espíritos equilibrados».

As feras: Henri Matisse (1869-1954), Georges Rouault (1871-1958), , Albert Marquet (1875-1947), André Derain (1880-1958), Maurice Vlaminck (1876-1958), aos quais se juntaram, vindos de Havres, Raoul Dufy (1877-1953), Georges Braque (1882-1963), futuro cubista, e Othon Friesz (1879-1949).

O movimento teve curta duração. Depressa surgem os desentendimentos e cada um seguiu caminhos próprios.

 

  

 

  CUBISMO

1.Origens, propostas e seus conteúdos.

Costuma-se indicar como acto de nascimento do Cubismo o quadro “Les Demoiselles d’Avignon”, pintado por Pablo Picasso em 1907. Foi uma resposta à obra de Matisse “Joie de Vivre”, apresentado um ano antes: à leveza deste, Picasso opõe a representação cruel e deformante das mulheres de um bordel.

O quadro “Demoiselles …” não é cubista, antes anuncia uma arte que se liberta de esquemas tradicionais de representação («Quadro que não se parece com nenhum outro», John Golding) através das deformações dos rostos como nas máscaras africanas, pelas figuras quebradas, como se fossem esculturas assentes numa superfície e pelo fundo que se situa de entre as figuras e não detrás. O seu impacto junto do público foi mínimo uma vez que só em 1937 foi exposto e em Nova Iorque, embora certos artistas tê-lo-ão visto no atelier do artista, muito visitado pelos vanguardistas.

Não inaugura o cubismo mas marca uma ruptura com a forma de representação que a tradição ocidental desenvolveu desde o Renascimento, uma revolução, que exigirá novas técnicas de leitura e de compreensão..

 

Influências : 1) obra de Cézanne;  2) “Arte Primitiva”, através das estátuas ibéricas e das máscaras africanas. 3) Cultura artística emergente.

 

1) Paul Cézanne (1839-1906) teve uma extensa e incompreendida carreira, inicialmente associada aos impressionistas, mas dos quais se foi afastando, construindo uma obra pessoalíssima e inteiramente original. Um ano após a sua morte foi realizada uma exposição retrospectiva da sua obra mais conhecida no Salon d’Automne, em Paris, que muito impressionou Picasso e Braque, nomeadamente o quadro “Grandes Baigneuses”. Resumiu a sua concepção artística, que também deixou escrita:

· procurar a estrutura oculta das coisas- a BASE GEOMÉTRICA («Tudo na natureza se modela sobre a esfera, o cone e o cilindro…»).

· deve- se preparar o olhar para «ver» a natureza para além da superfície das coisas (daí o seu afastamento relativamente aos impressionistas), deve penetrar no seu âmago para a compreender; contudo, recusa representações geométricas abstractas, defendendo um certo «naturalismo» que irá ser adoptado pelo cubismo.

 

2) Máscaras ibéricas e africanas: nessa altura era relativamente frequente as exposições sobre as artes primitivas. Para as vanguardas artísticas essa arte significava «expressividade, estrutura e simplicidade», utilizando as formas primitivas,  arcaicas ou regressivas como meio para rejuvenescer a pintura submergida por uma pesada erudição e complexidade de linguagem. Gauguin e Henri Rousseau (um autor muito original e peculiar, com um estilo regressivo que inaugurou a arte naïve) já o tinham feito e os expressionistas estavam a fazê-lo. Os cubistas vêem-nos como modelos para ultrapassar os limites instituídos por uma concepção de «belo» tradicional, imposto pela harmonia clássica, introduzindo novos modos de percepção, pois eram formas mais próximas da substância plástica das coisas. A sua influência está patente no célebre “Retrato de Gertrude Stein” e no acima referido “Demoiselles …”.

 

Cézanne + Arte Primitiva- « fontes para simplificar a pintura, para atingir a estrutura interna dos objectos e afirmar que o quadro não é uma janela aberta para o mundo mas antes um objecto que se apropriou da substância das coisas e que a restitui..»

 

3) Cultura artística- apesar da incompreensão inicial do público e de parte da crítica, o que estava a suceder na pintura acompanhava as tendências verificadas noutras expressões artísticas, nas quais também se propunha estilhaçar e alargar os pontos de vista na obra de arte: Igor Stravinsky, na música, James Joyce, Virgínia Woolf e Gertrude Stein, na prosa.

 

Propostas e conteúdos: ao contrário do que à primeira vista possa parecer, o cubismo é um movimento NATURALISTA. Não só não o rejeitam, como procuram exprimir uma ideia de maior adesão ao fenómeno concreto, à dimensão exterior das «coisas reais». Pretendem conhecer ainda melhor a natureza. Para isso é necessário que se achem novos elementos de representação, substancialmente diferentes da concepção tradicional. Tradicionalmente os meios de representação usados não permitem representar os objectos da realidade que se movem no espaço. O cubismo procurará sintetizar as múltiplas imagens que o olhar transmite, que não está imóvel, desloca-se, reconstituindo distâncias, volumes, planos, cavidades, protuberâncias, superfícies, etc.

 

2.Principais representantes e seus percursos.

As duas principais figuras do Cubismo foram Pablo Picasso (1881-1973) e Georges Braque (1882-1963). Entre 1907, ano em que conheceram apresentados pelo poeta e teórico do movimento Guillaume Apollinaire, e 1914 estiveram no primeiro lugar da vanguarda parisiense. Nunca utilizaram o termo, invenção da crítica da época, mas outros, os seguidores, utilizá-lo-ão, quer apenas numa fase da sua vida, quer para sempre.

Picasso, espanhol de origem catalã, filho de pintor, formou- se em ambiente de Academia, sendo aos 18 um génio precoce. Em 1900 viaja para Paris, que o leva a questionar a sua formação e procurar novas vias, e em 1904 instala-se aí definitivamente. Atravessa duas fases antes do Cubismo: Período Azul (1901-04), durante o qual revela preocupações sociais nos seus temas, evocando vagabundos e enfermos, tudo envolto em camadas sucessivas de tons azuis; Período Rosa (1904-05), em que pinta, em tons predominantemente rosas, figuras de saltimbancos melancólicos.  Nestas duas fases ainda revela algum gosto tradicional. O seu atelier, Bateau-Lavoir, torna-se ponto de encontro de toda a vanguarda internacional. Por isso foi possível que o “Demoiselles …” , que só foi exposto 1937, em Nova Iorque, tenha tido grande impacto na comunidade artística e quase nenhum no público. Depois da Guerra e do Cubismo, o seu frenético trabalho prosseguiu em múltiplas direcções e diversas fases: trabalha em cenários de bailados e peças teatrais, regressa a formas figurativas e «neo-clássicas», aproxima-se do surrealismo, entre1925 e 1930, pinta “Guernica”  , obra única e plena de dramatismo, e estendeu a sua actividade para os desenhos, gravuras, cerâmicas e esculturas.

Braque: Nasceu em Argenteuil, Paris, atravessou uma fase impressionista e ligou-se aos Fauves. Partilha com Picasso a aventura do Cubismo. A sua obra posterior é menos multifacetada que a do seu companheiro de aventuras, preferindo naturezas-mortas com instrumentos musicais, paisagens, naturezas-mortas sobre mesas redondas (Guéridons), chaminés, e as séries dos Ateliers (1948-55) e dos Pássaros (1955- 63).

 

Outros:

Juan Gris (1887- 1927) e Louis Marcoussis (1878-1941), amigos de Picasso e de Braque, respectivamente.

Grupo do Salon des Indépendants, na sala 41- 1911: Jean Metzinger (1881-1957), Albert Gleizes (1881- 1953), Robert Delaunay (1885-1941) e Fernand Léger (1881-1955), muito influenciados por Cézanne. Estes dois últimos destacam-se, tendo a pintura do grupo (no qual também se incluía a mulher de Delaunay, Sonia Sterk, 1885-1979, artista checa)  sido por Apollinaire designado de «Cubismo Órfico», do mito grego do Orfeu. Eram atraídos pelo estudo da cor- Delaunay passou pelo pontilhismo e pelo fauvismo, tentando uma síntese fauvismo/cubismo, utilizando cores primárias e contrastes complementares- , e dos seus efeitos, tendendo mais para a abstracção («contrastes de formas»)- Léger preferia o cone e o cilindro ao cubo.

Grupo da «Section d’Or» (secção áurea da geometria): Jacques Villon, Francis Picabia, Marcel Duchamp, Frantisek Kupka- estudam as relações matemáticas e as possibilidades evocativas das formas.

 

3.Evolução do Cubismo.

Costuma-se separar este movimento em duas fases, analítica e sintética, se bem que também se use antecipá-las com uma outra: a fase “Cézanne”.

1) fase “Cézanne”: no princípio do relacionamento entre Picasso e Braque, no Outono de 1907, estes dois artistas vão produzir as primeiras obras verdadeiramente cubista, segundo o princípio do velho mestre- «tudo na natureza se molda sobre a esfera, o cone e o cilindro». Foi baptizada por Matisse e Vauxcelles perante uma paisagem de Braque, talvez a primeira obra verdadeiramente cubista.

 

2) fase analítica (1910-1912): o termo indica a operação que os dois artistas começam por executar- analisar e decompôr os objectos como se girassem à sua volta, para depois revelarem nas duas dimensões do quadro as suas diversas facetas, captadas dos vários pontos de vista. Isto é, um qualquer objecto ou figura humana é observado em diversos planos (de perfil, de frente, de cima, de costas, etc ) e a sua representação numa superfície plana deverá juntar todos eles, agregando-os sem se preocuparem com a sua legibilidade directa, ou seja, mesmo que a sua leitura não seja imediatamente acessível ao espectador. É uma forma de

·traduzir radicalmente a realidade (naturalismo levado ao extremo)

·inserir na pintura a dimensão do tempo, da sucessão, da duração («O quadro englobava o espaço, agora irradia-se no Tempo»)

 

O cubismo analítico só foi possível com a ruptura causada pelo quadro “Les Demoiselles d’Avignon” , o qual rejeitou a «realidade da visão» e abriu a possibilidade de pintar a «realidade do conhecimento»  (Guillaume Apollinaire).

Exemplo: “Retrato de Vollard “ (1910)- retrato de um homem cujo crânio parece alongar- se estranhamente; Picasso apenas agregou a frente, visão frontal do rosto do modelo, e o cimo do crânio, numa visão picada (plongée, em linguagem cinematográfica).

Contudo, esta fase depressa caminhou para um hermetismo, tornando-se de tal forma ilegíveis que careciam de uma explicação acessória. Por isso, Braque começa a integrar nas suas obras pormenores pintados em trompe l’oil e letras impressas como forma de ligação à realidade.

 

No final desta fase outros nomes e movimentos aprofundam a pesquisa cubista: Juan Gris, grupo “Cavaleiro Azul”, Futurismo Italiano, Vanguarda Russa (Cubo-Futurismo de Malevitch e Burljuk).

 

3) fase sintética- (1912-1917)  Já não se fragmenta o objecto nas suas partes sucessivas mas, ao invés, cria-se uma imagem que sintetiza as suas formas essenciais e a sua matéria.

Surgem as primeiras colagens: partem de elementos materiais planos (superfície do quadro, papeis diversos, zonas pintadas em camadas) e associam-nos para evocar uma realidade. Na contemplação da obra, o espectador experimenta a ambiguidade dos materiais, ao mesmo tempo referências à realidade quotidiana (papeis de jornal ou mobiliário) e fragmentos de uma composição sugerindo um outro aspecto da realidade.

O quadro é cada vez mais um objecto, um pequeno mundo completo em si mesmo, que se dirige à inteligência, propõe uma nova relação entre o verdadeiro e o falso, a realidade e a representação, abrindo o caminho ao Dadaísmo.

Consequência e significado do Cubismo.

    O percurso que os dois artistas percorreram surge como AUTONOMIA DO FACTO PICTURAL. Foi uma obra fundada sobre a análise, regida agora por imperativos de unidade puramente picturais. Não é por acaso que as criações de Picasso e de Braque se posicionam numa gama de cores muito restrita, dominada pelos castanhos e pelos ocres, por vezes realçada por alguns tons de verde. O ascetismo desta paleta é ainda uma recusa da alegria da cor dos Fauvistas- é uma afirmação implícita da intelectualidade da visão.

  

 

FUTURISMO

1.Conteúdos e intenções.

Agrupamento italiano iniciado em 1909 com a publicação no jornal parisiense «Le Figaro» do Manifesto do Futurismo, da autoria do poeta e escritor Filippo Tommaso Marinetti. Um ano depois, pintores futuristas escrevem uma proclamação, Manifesto Técnico da Pintura Futurista, assinado por Balla, Boccioni, Carrà, Russolo e Severini, adoptando o seu conceito-chave: «o gesto que nós queremos reproduzir sobre a tela (…) será simplesmente a sensação dinâmica». Foi um dos cerca de 50 manifestos publicados entre 1909 e 1916 a propósito de quase tudo: teatro, literatura, cozinha, etc.

 

Influências:

Neo-impressionismo- ponto de partida do futurismo; dele retiram a prática e o gosto pelas cores fundamentais, integrando-se na tendência colorista de tons vivos dos anos que precederam a guerra (ex. Fauvismo).

Cubismo- retiram a divisão das formas, conseguida através da análise; influenciados notoriamente pelas soluções formais de Picasso, Braque e Juan Gris, mas em vez dos planos estáticos, próprio dos cubistas, preferem as superfícies encurvadas, por melhor sugerirem a projecção de um objecto no espaço, isto é, a expressão do movimento.

Os contactos com as vanguardas parisienses foram decisivos.

Os artistas:

Umberto Boccioni (1882- 1916), a alma do movimento que morrerá com ele na guerra, Giácomo Balla (1871-1958), atraído pela fotografia, acabará na abstracção geométrica, Carlo Carrà (1881-1966), mais próximo do cubismo (colagens), e Gino Severini (1883-1966), o mais parisiense, mais próximo do neo-impressionismo e de um cubismo moderado (Metzinger, Gleizes). Outros: Luigi Russolo (1885-1947), também músico, e Ardengo Soffici (1879-1964), crítico e artista.

Todos eles trabalharam dispersos por várias cidades, Paris, Roma, Milão, Florença…, mas mantiveram fortes ligações entre si. Com a morte de Boccioni e do arquitecto Sant’Elia o grupo dispersou-se.

O ambiente em que o Futurismo se gerou foi marcado por dois aspectos diferentes: 1º-pela acelerada evolução tecnológica , 2º- por um vazio cultural. Daí toda a vontade regeneradora de que se reclamavam os futuristas. Marinetti parte da necessidade de uma renovação literária, acabando por elaborar os princípios gerais de uma vanguarda histórica decidida a «mudar de vida». Assim, manifestar-se-á ruidosamente contra o tradicionalismo académico ou contra o conservadorismo estético da burguesia, através de duas formas de divulgação dos novos valores estéticos e comportamentais: a propaganda, onde se inserem os manifestos, e o Café-teatro, lugar de experimentação linguística e encontro com o público, o qual participa nos espectáculos e que era provocado ostensivamente.

 

2.Aspectos teóricos e práticos.

Ideologia:

O Futurismo é um movimento vitalista que envolve todos os aspectos da vida do Homem- a política, os costumes e a moral, a arte, etc. Procura envolver-se profundamente com a vida, num retomar da poética romântica e pós-romântica, próximo do pensamento de Bergson e Nietzsche. Marinetti anuncia o nascimento de uma «beleza nova», «a beleza da velocidade», ligada ao culto da máquina e aos elementos mais dinâmicos, ainda que perturbadores, da sociedade industrial que então se vinha formando.

Os artistas que assinaram o manifesto de 1910 assumem os valores essenciais do Futurismo e adoptam na sua arte o conceito-chave do dinamismo, ou seja, a poética do movimento («Os pintores mostraram-nos sempre coisas e pessoas colocadas à nossa frente. Nós, colocaremos o espectador no centro do quadro»).

Aspectos formais:

Para obterem os efeitos de movimento na superfície do quadro, ou para exprimirem a «sensação dinâmica», recorrem aos princípios da decomposição cromática e da luz próprios do pós-impressionismo divisionista- com os seus conceitos de simultaneidade e dinamismo conseguidos através da cor (ex. Briga na Galeria, 1910, e Cidade que sobe, 1910-11, de Boccioni; O Funeral do Anarquista Galli, 1911, de Carrà). Do cubismo, apesar de recusarem o seu carácter estático, retirarão a solução formal da multiplicação dos pontos de vista e da decomposição dos objectos- as cenas são representadas, por exemplo, apresentando as figuras, ao mesmo tempo, de perfil e de frente, assim como os outros elementos vistos de diversos ângulos, tudo isto simultaneamente (as figuras « estão imóveis e depois movem-se, vão e vêm, espalham-se pela rua, devoradas por uma zona de sol, símbolos persistentes da vibração universal»). Para cumprirem a necessidade de interpretarem a simultaneidade dinâmica das formas e dos valores cromáticos, que lhes era tão cara, os Futuristas irão realizar uma síntese original destes contributos.

 

Cada artista irá interpretar todos estes conceitos de maneira muito diferente:

Boccioni, o melhor intérprete destes pressupostos formais, leva longe estas práticas introduzindo o conceito das linhas-força («as direcções das formas-cor»).

Balla, partindo da análise científica e objectiva da decomposição da cor (legado pelos pós-impressionistas), produziu obras inteiramente abstractas.

Bragaglia, através de estudos fotográficos, desmaterializava os corpos, reproduzindo a sua trajectória através das silhuetas de luz que se produz quando uma figura se move numa fotografia.

Severini, muito próximo do cubismo sintético, com uma obra exaltando a modernidade e o optimismo, em cenários parisienses. Para além da utilização das cores primárias e da decomposição geométrica, é dos primeiros, juntamente com Picasso e Braque, a utilizar a técnica da colagem, no que foi seguido por Boccioni e Carrà.

António de Sant’Elia, arquitecto, apresenta os planos da Cidade Nova, único exemplo do futurismo nesta área, exalta os valores próprios do urbanismo pela projecção vertical do arranha-céus e pela ideia da megalópolis industrial.

 

Depois da Guerra o movimento desagrega-se mas influenciou artistas que surgiram depois:

Balla e Fortunato Depero- a partir do Manifesto para a Reconstrução Futurista do Universo, vão aplicar os princípios futuristas na construção de objectos e na decoração («brinquedo futurista», «fato transformável», engenhos mecânicos e barulhentos- mito da máquina; mais do que o automóvel será o avião a entusiasmá-los).

Outros Países: Rússia- movimento quase tão importante quanto o italiano (L. Popova), Japão e Brasil; na Inglaterra- Vorticismo, nome dado pelo grande poete Ezra Pound (1914)- evoluem depois para um maior abstraccionismo; Espanha- Vibracionismo com R. Barradas.

 

  

Os temas seguintes aguardam melhores tempos

 

DADAÍSMO

1.Novos conceitos e práticas artísticas.

2.O Dadaísmo na Europa e na América.

  

CONSTRUTIVISMO

1.Importância do Construtivismo Holandês.

2.O significado da obra de Mondrian.

 

ABSTRACCIONISMO

1.As consequências do Cubismo.

2.O significado, as origens e as tendências da Abstracção.

 

SITUAÇÃO DO MODERNISMO EM PORTUGAL

1.Influências internacionais.

2.A importância dos modernistas portugueses ( Amadeo de Souza Cardoso, Santa-Rita Pintor, Almada Negreiros).

 

  

 

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