Impressionismo

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Antecedentes Precursores Representantes

 

A primeira aparição pública do grupo dos impressionistas deu-se em 1874 numa Exposição no estúdio de NADAR,  um fotógrafo pioneiro, aeronauta e caricaturista, Gaspard Félix Tournachon de seu verdadeiro nome.

Esta exposição colectiva, exibiu obras de “independentes”, isto é, à margem do Salon oficial.

No início, confundiam-se com os naturalistas, não reclamando uma identidade própria. Além disso, os diversos artistas tinham personalidades muito diferentes entre si, não constituindo um grupo coeso. A designação IMPRESSIONISMO é mais uma forma didáctica ou taxionómica de os classificar.

Não produziram manifestos, nem formulações teóricas, não foi uma escola, nem um movimento homogéneo, com uma teoria clara. Foi mais um “ENCONTRO DE PERSONALIDADES” com um NOVO GOSTO, diferentes entre si, unidos pela mesma forma de sentir e mesma intenção (antiacademismo);

 

CONFLITO COM GOSTO TRADICIONAL/ OFICIAL/ CONVENCIONAL OPOSIÇÃO

A generalidade do público apreciava o ACADEMISMO, cujos autores da época, Gérome, Bouguereau ou Cabanel, constituiu a geração a seguir aos discípulos de Ingres. Faziam pinturas descritivas, com precisão meticulosa, revelando uma extraordinária capacidade técnica. Contudo as suas composições exibiam uma grande frieza e um domínio limitado na combinação de tons. Limitam-se às tradicionais cenas históricas e alegorias, as quais, muitas vezes, surgiam como pretextos para a representação de nus.

Ver imagens em Artrenewal, um magnífico sítio sobre o tema do academismo, mesmo que não se concorde com o ponto de vista dos seus autores.

Também havia os seguidores de DELACROIX, um romântico, que recuperavam elementos do BARROCO, como foi o caso de Paul Brandy, 1828-86. Revelava uma grande perfeição técnica, mas com um conjunto pouco harmonioso.

 

Com os IMPRESSIONISTAS, surge essencialmente um NOVO GOSTO, uma forma pessoal e inédita de ver e de reproduzir o visível de forma sugestiva, espontânea, liberta da literatura e dos “simbolismos”, liberta de rígidos e obsoletos cânones tradicionais e da pintura comemorativa.

Muito influenciados pelo naturalismo e pelo realismo, ACRESCENTARAM uma modificação da estrutura artística tradicional: NÃO havia REPRESENTAÇÃO FIEL DA NATUREZA. Procuram, antes, CAPTAR A VERDADE PERCEPTIVA E SENSÍVEL da natureza. Constituía um elemento REVOLUCIONÁRIO devido à alteração do modo de ver a natureza e o mundo exterior. Tratava-se da reprodução dessa visão com IMEDIATISMO temporal e sensível, procurando captar o instante de uma realidade em constante movimento.

«cada mutação da luz, muda de aspecto e de verdade»

O TEMA torna-se irrelevante, passando a mero pretexto para reproduzir naquele momento a luz (instante irrepetível de vida fenoménica, atmosférica). afastaram-se dos naturalistas, que tinham subjacente uma mensagem de carácter social e política de intervenção e que procuravam reproduzir a realidade o mais fielmente possível.

Os assuntos que representavam eram os momentos de ócio e de festa em que participavam, tardes de domingo, passeios no Sena, cafés, restaurantes ao ar livre, mas em festa. Daí lhes terem também chamado “pintores da vida moderna”. Contudo, todos estes temas mais não passavam de meros pretextos para captar sugestões visuais.

A expressão mais própria do Impressionismo foi, no entanto, a PINTURA DE PAISAGEM: representaram o Sol, a água, os reflexos, isto é, as impressões de deslumbramento das cores e formas, sempre representados ATRAVÉS DA LUZ, EM TONS CLAROS:

Cintilação de luz e de cor, vibrações luminosas, sensibilidade cromática expressa por cores puras que traduzem numa síntese pictórica a instantaneidade da visão

Notas luminosas de vida colorida e movimentada, transparências atmosféricas, imprevistas mutações cromáticas expressas em cores puras e brilhantes”.

OBRIGA a uma ambiguidade perceptiva: os contornos são flutuantes e esfumados, a forma é pulverizada, a visão é fragmentada. Leva a PROFUNDAS INOVAÇÕES FORMAIS:

1.     Apercebem-se que a luz não é um elemento homogéneo e compacto, mas antes constituído por uma série de valores cromáticos puros; experimentaram a DECOMPOSIÇÃO das cores: não são misturadas previamente na paleta, mas fixadas directamente na tela, fragmentando os tons e as pinceladas.

2.     Descobrem que na natureza as sombras não são ausência de cor (isto é, uma uniformidade escura) mas uma intensidade cromática diferente, com matizes lilases: passaram a considerar o preto como outra cor qualquer e não como uma não-cor.

3.     Prescindem do claro-escuro: só a cor tem a tarefa de definir o espaço e as fronteiras entre as imagens.

4.     Abandonam a linha de contorno.

5.     As cores: são aplicadas em pequenas pinceladas, justapostas sem uma regra técnica precisa, em que a separação dos tons se combina no olho do espectador. Os artistas utilizam uma técnica que consiste na simples justaposição de pinceladas coloridas destinadas, depois, a combinar-se na retina do receptor.

 

LUGAR DO IMPRESSIONISMO NA ARTE OCIDENTAL

Ponto de chegada e, simultaneamente, ponto de partida.

Representou o «auge e o ponto final da pintura ilusionista» que, desde o Renascimento florentino, procurava representar fidedignamente a realidade a partir de um ponto de vista. Assente na perspectiva, «dominou a arte europeia e os hábitos de percepção»- Isto é, representa a última manifestação da evolução da pintura ocidental que impõe a representação da realidade como um retrato, com uma perspectiva unívoca e procurando reproduzir as verdadeiras proporções dos elementos representados.

Ao mesmo tempo, é a raiz da arte moderna: anuncia as «excentricidades da percepção humana e a sua relatividade. (...) fornecia (...) o escoramento técnico, formal e experimental para os desenvolvimentos que iriam seguir-se. (...) O Impressionismo libertou a cor até ao ponto da autonomia e levou a dissolução da forma tradicional até ao limite (...) os objectos representados desaparecem, anunciando uma arte "não-objectiva”»

Marcou, portanto, o início da arte subjectiva.

 

OUTRAS EXPRESSÕES ARTÍSTICAS também associadas ao Impressionismo:

Claude Debussy (música), Marcel Proust (literatura), Henri Bergson e Friedrich Nietzsche, Rodin (escultura).

Partilhariam o mesmo gosto e, nos seus campos, expressar-se-iam com recursos formais análogos.

Mas também esta apreciação está longe de reunir consenso, dado que alguns desses autores recusaram mesmo a categoria em que pretenderam inclui-los (caso de Debussy).

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